Banheiro


Cabelo, corpo, rosto e enxágue
Depois de muito tempo, me permiti um banho realmente longo.
Um banho prolixo
Ventania arrasta areia fina e sal contra canela
Penso sobre a delícia do tato com suas sinalizações de temperatura, pressão e dor. 
Estão sempre tão excitadas conchas, labirintos e câmaras escuras. Sonho com um meio de alterar o homunculo de Penfild. 
Meu pecado é misturar os cabos organolépticos. Me falta espaço e são tantos fios de tato, todos ligados pela água corrente. 
E a areia massageie a pele e reduz a densidade do xilema. Gozo com a sensação da água na pele. Deixo-me ser musgo, anfíbio.
Respiração tegumentar.
O banheiro é o meu cômodo favorito da casa, onde Deus fecha os olhos. Quantas vezes tentei e falhei gravar por flashcards improvisados o RGB dos meus pensamentos. Imagine minha surpresa ao perceber a facilidade de trabscrevê-las nas ecoantes e tridimensionais notas de baixo e sopros de trompete. Sento no chão, meus dedos invadem a calçada do couro cabeludo com espuma. Um banho prolixo. 
Repilo o prolixo diariamente, mas preciso admitir